Vida Terráquea Inteligente: Entrevista Com Jaum

1 - Como foi que voce descobriu Les Humanoides Associes?
Bem, não me lembro ao certo o início do início,
mas sei que comecei a gostar do trabalho dos Humanoides quando resolvi,
de fato, me tornar quadrinhista, em 2005,
durante um curso de quadrinhos em minha cidade.
Naquela época descobri Moebius, Bilal, Druillet etc.
A Les Humanoides Associes se tornou uma referência muito forte desde então.
.2 - Peiote tem um espírito de Metal Hurlant, certo?
Com certeza!
A Metal Hurlant é a referência máxima da Peiote
pois foi uma das mais importantes e influentes revistas lançadas
da segunda metade do século XX pra cá.
Porém este não é o único fator.
Desde que comecei a pensar na concepção do que seria a Peiote,
defini que queria uma revista de fantasia.
No entanto, não uma fantasia básica e convencional, européia,
e sim uma nova forma de ver o fantástico, buscando,
por exemplo, referências sobre o tema na américa latina.
Também quis fazer uma revista que, além de belas histórias,
trouxesse um nível de comunicação com o publico,
não se tornando assim uma publicação onde o fantástico
se tornasse apenas uma forma de escapismo.
Por tudo isso, a Metal foi muito importante para a criação da Peiote!
.
3 - Moebius se apresenta como uma grande inspiração para seu trabalho.
Qual a importancia do legado do Moebius para o quadrinhos contemporaneo?
Moebius é muito mais do que um mestre, é uma força criadora.
Moebius é, provavelmente, a mesma força criadora que Winsor McCay tinha
ao produzir seu belo Little Nemo in Slumberland.
O Giraud descobriu isso e se tornou um dos maiores artistas
da segunda metade do século XX.
É impressionante como o cara não para, está sempre crescendo.
Claro que, como humano, ele pode errar vez ou outra,
mas tudo caminha para um trabalho de nível divino.
Moebius possui um dos maiores legados para os quadrinhos
e a arte em geral contemporânea, já que,
além de suas hqs, ele também produziu concepções de arte para filmes,
ilustrações, animações etc.
Até na moda dos anos 70 e 80 o cara influenciou!
Moebius é sim o artista no qual me inspiro
para não parar de crescer em nível artístico.
.
4 - Como é seu processo de trabalho?
Sabe que até hoje não encontrei um processo certo para trabalhar?
Sempre muda algo.
Geralmente faço um roteiro/layout antes de qualquer outra coisa.
Gosto de me dedicar a narrativa de uma página de quadrinhos
e com isso posso gastar dias pensando
em como será a narrativa de uma única página.
Depois, com o roteiro pronto,
defino como será a técnica empregada na história.
Gosto de ver a técnica como uma forma de narrativa também
(como dizia Will Eisner),
por isso quis desenvolver um leque legal de possibilidades para meu desenho.
Claro que, antes de tudo, a parte mais importante,
e que deve ser incluída dentro do processo de trabalho, é a leitura.
Ler livros de temas variados
é um dos pontos chaves para se criar uma boa história.
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5 - Foi dificil realizar a Peiote?
Cara, não sou tão velho para dizer que tenho milhares de experiências,
mas posso dizer que, com certeza,
a Peiote foi meu projeto mais grandioso e desgastante até o momento.
Desde 2007 que venho criando esta revista,
mesmo antes dela ter recebido um nome!
Muita gente entrou e saiu ao longo do processo
e isso é interessante pois ouve esta circulação de pessoas,
sendo que parte desta circulação foi para barrar ainda mais o projeto.
Mas desafios são legais e importantes,
se as coisas tivessem caminhado corretamente desde o início
acredito que a revista teria saído com uma qualidade inferior.
Peiote sempre foi uma busca por algo que tivesse
um mínimo de excelência para começar.
Acho que cumprimos o objetivo,
mas agora o trabalho continua,
pois a busca a partir deste momento
é elevar o nível de edição para edição!
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6 - Estamos numa fase importante para o quadrinho nacional,
a propria Peiote representa isso. Muitas publicações independentes de qualidade.
Como você ve essa cena?
Pois é, este é um momento ímpar, pelo menos pra mim,
que não vivi os anos 80.
Acho que está havendo um processo de renovação em nosso quadrinho
e que a qualidade de muitas das revistas está aumentando bastante.
Claro que não podemos fechar nossos olhos a tudo o que acontece
e dizer que tudo o que está saindo tem um bom nível de qualidade,
muitas das publicações do cenário nacional não valem a pena,
não têm um mínimo de exigência.
Mas isso acontece em todos os países produtores de quadrinhos do mundo,
então é comum.
Só que, com toda esta produção também é comum certas publicações se destacarem,
como é o caso da Graffiti 76% Quadrinhos, aqui de BH,
que é a publicação de quadrinhos autorais mais importante do país neste momento.
Temos também a Samba e a Ragú
(que nem é mais revista, se tornando um luxuoso álbum!),
que são revistas que buscaram uma excelência editorial.
.

7 - Qual avaliação você já pode fazer em relação a esta primeira edição da Peiote,
a distribuição e as vendas?
Acho que ainda é cedo para avaliar certos aspectos da Peiote.
Como disse numa das respostas anteriores,
buscamos ter um mínimo de excelência para lançar a revista.
Acho isso um ponto a nosso favor,
e também em favor dos leitores que irão adquirir o material.
Mas ainda há muito a melhorar, estou ciente disto!
Acho que uma boa meta é sempre melhorar de edição para edição.
Em relação a distribuição e vendas,
acho que ainda não é o momento de avaliarmos,
pois aqui em BH mesmo nem comecei a distribuir.
Pra se ter idéia, em Sampa tem mais exemplares circulando do que aqui,
até o momento.
Até agora participei de dois eventos onde pude acompanhar de perto
em termos de vendagens: O FIQ, em BH, e o FestComix, em Sampa.
A Peiote têm saído legal,
sendo uma das publicações de maior saída
na banca do Quarto Mundo em ambos os eventos.
Isso é bom, pois, segundo quem adquiriu a revista,
é uma publicação que estava em falta em nosso mercado.
Muitos até nos comparam com a extinta Animal,
o que é ótimo já que considero ela
a melhor revista de quadrinhos que já saiu em nosso mercado!
.
8 - O que veremos em 2010?
Para 2010 eu pretendo lançar mais algumas edições da Peiote,
começar a produção de um álbum autoral de quadrinhos
e organizar uma coletânea com diversos autores
com hqs baseadas em um polêmico livro.
Além disso, é provável que seja lançado bem no início do ano
o livro Pequenos Heróis, do Estevão Ribeiro,
onde desenhei uma hq de 10 páginas.
Este projeto está bem legal
e teremos continuações também,
não sei se sairá mais algum outro livro no próximo ano,
mas com certeza trabalharei na história seguinte ano que vem.

1 comentários:

cleuber disse...

muito foda a entrevista. o jaum é um cara esforçado, inteligente e honesto, sendo assim, a peiote nao poderia deixar de ser a revista q é. Uma excelencia!
parabens pela entrevista aos entrevistadores e ao entrevistado.
cleuber